Como tudo começou

agosto 19, 2015

Até hoje, não sei quem começou a vida de quem. Se eu a dela. Se ela a minha.
O fato é que em 2012 o  Amado e eu decidimos que estava na hora de conversar com a cegonha. Eu tinha 27 anos, um maridocompanheiro super amor da minha vida, uma casa e uma graduação sendo concluída (com direito a todos os xiliques clássicos de uma formanda).
Engraçado que eu estava num momento bem corrido da vida.  E mesmo assim deu vontade de ter um bebê. Saca aqueeeela vontade?
Sempre quis esperar ter a vontade de ficar grávida.
Via amigas contando das suas gestações com surpresa, apreensão, medo, dúvidas em ter ou não, tirar ou não, ter um companheiro ou não. Não queria aquilo para mim.
E confesso que por vezes cheguei a pensar que se a vontade não viesse, eu talvez não seria mãe.
E tudo bem também se não fosse. Tudo bem se não tivesse vontade.
Acredito que ser mãe ou não, ter dúvidas ou não, tirar ou não, ter um companheiro ou criar sozinha, é tudo decisão da mulher. Sobre seu corpo, sua vida, sua história. E ponto.
Eu por enquanto só havia decidido que só teria se tivesse aqueeela vontade.
E ela veio. Veio com força, com coração acelerado, mãos suadas e a cabeça a mil.
Naquele momento estávamos juntos, Diego e eu há 10 anos, já tínhamos nos curtindo sozinhos muuuito e de repente começou a parecer que faltava alguém. Engraçado isso. Sentíamos a falta de alguém que nem conhecíamos.
No primeiro mês de tentativa, pimbaaa, teste do xixi positivo, hcg positivo e uma mãe desesperadamente feliz gritando ao mundo uma gravidez de 4 semanas. Acontece que com 10 semanas, numa ecografia de rotina, o obstetra diz num tom seco e cruel: “Não temos batimentos. Tu deves te encaminhar a um colega para providenciar curetagem. Teve o que chamamos de aborto retido. Mas posso estar errado, meu aparelho é muito  antigo” (ele tinha o aparelho no consultório e não quis se comprometer com o diagnóstico, depois eu entendi.). Eu não tinha entendido direito, fiquei meio zonza.  Imediatamente o Di me levou para realizamos o novo exame numa clínica que confirmou: Eu havia perdido o bebê. Sem sangramento, nem dor, nem nada. Sem mais nem menos.  Acabei sendo submetida à uma curetagem dolorida, na maternidade do hospital que possivelmente ganharia meu bebê. Ouvia choros de crianças nascendo e eu ali sangrando e sofrendo, com minha mãe e meu Amado do lado, aguardando a dolorida retirada do meu sonho interrompido, sabe-se lá por quem.
Sofri bastante, mas felizmente a formatura que se aproximava, o tcc que precisava ser concluído e todas as possibilidades do mundo de uma nova administradora me ajudaram a mudar o vetor naquele momento.
Teve festa de formatura, teve carnaval no Rio de Janeiro, teve feriado em Buenos Aires e quando vimos, 6 meses haviam se passado do episódio.
Era meu aniversário. 11 de junho. Ansiosa, comprei um teste de farmácia logo cedo, no terceiro dia de atraso. Dois risquinhos beeem fraquinhos. Não levei fé.
Eu e o Di havíamos combinado de ir ao Mercado Público comprar um pato para desossar na noite dos namorados(um dia eu conto minha paixão pela Julia Child), e aproveitamos para fazer um teste de hcg naqueles laboratórios que prometem o resultado em 1hora.
Fiz o teste, e deu negativo. Juro que deu negativo.
Saímos e encontramos um amigo na rua. Acendi um cigarro, e fumei. Tranquila e despretenciosamente, como fazia todo dia após o almoço, enquanto nós três conversávamos. Em seguida meu celular tocou. Era do laboratório pedindo que eu retornasse. O Diego debochou que o exame tinha dado errado, me disse para apagar o cigarro. Apaguei correndo e voltamos rindo e brincando com a situação.
Ele tinha razão.
Olga já estava a caminho.
E o cigarro ficou pelo caminho na minha história, foi a primeira mudança que minha filha decretou.

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