Relato de Parto: Tito

janeiro 14, 2018

O relato desse parto começa lá em 2013, quando com 36 semanas da gestação de Olga, o obstetra fofinho, que nunca queria falar sobre o parto, me colocou literalmente na parede para agendar uma cesariana. Eu, fragilizada e completamente na defensiva pedia para que ele me deixasse "tentar" o parto normal. 


Depois de muita insistência minha ele disse que "até" faria o parto normal, mas que cobraria taxa de disponibilidade, que pediatra e anestesista cobrariam e que o total seria mais ou menos uns R$ 6.000,00. Saí do consultório arrasada e com a única certeza de que não voltaria mais lá. E não voltei. Depois de alguns dias de busca consegui horário com uma obstetra que "aceitava" esperar eu entrar em trabalho de parto. Iniciei, mas logo no começo Olga fez mecônio, e a coisa acabou numa cesariana de emergência. Fria, baseada no medo e na impessoalidade. Na época eu sofri, me senti incapaz, tudo junto e misturado com a felicidade de ter minha primeira filha nos braços. Mesmo naquele momento eu pensava que ainda teria um parto normal (eu sempre soube que teria mais de um filho ou filha!).

Bem. O tempo passou, eu li, vi, ouvi muita coisa sobre parto natural, e este ano recebemos a linda notícia que Tito estava a caminho. Desta vez eu tinha certeza de que não deixaria que tomassem as decisões e os rumos sobre meu corpo e a vida de meu filho por mim. Sem eu entender e estar apropriada sobre a situação. 
Depois de entender que a obstetra atual (era a mesma do parto da Olga ainda), era mais inclinada à cesariana, lá fui eu atrás de um obstetra humanizado, pelo plano de saúde, coisa rara por aqui. Eu ainda tinha a preferência que fosse uma mulher e mãe. Depois da maternidade aprendi que desenvolvemos uma cumplicidade muito bonita entre mães. Depois de ter filhxs, qualquer um poderia ser a nossa criança. 

Foi aí que eu sofri mais uma vez. 

A DPP do Tito era para 05/09, semana do Simpósio Internacional de Assistencia ao Parto, Doulas e Familia, o SIAPARTO. E por isso, as médicas da minha lista não estavam pegando gestante com previsão de parto nesta data... muitos contatos e pedidos de indicação a minhas amigas depois, num mesmo dia recebi duas indicações de pessoas diferentes. E o curioso é que eram justamente da mesma obstetra. A esta altura já tinha reencontrado Zezé, uma Doula muito especial, que eu não tinha conseguido ter ao meu lado na gestação anterior. 
Fomos conhecer a Dra Maria Fernanda, e lá abri meu coração a ela, que me acolheu e veio junto nessa viagem comigo. Estávamos com 15 semanas. A gestação ocorreu tranquila, apesar de cansativa e dos enjôos. 

Pulemos ao parto:
Alguma coisa me dizia que esse parto seria com trabalho de parto de verdade! E assim foi.

Depois de quase duas semanas de pródomos que não engrenavam, homeopatia, florais e 3 sessões de acunpuntura, no dia 04 de setembro tive uma boa conversa com a Zezé. Parece que precisava ouvir aquelas belas palavras dela. Me disse para tomar um banho bem relaxante, fazer massagem, conversar com ele, com a lua que estava entrando na fase cheia... que me despedisse de verdade da barriga... e assim foi... fiz tudo, conversei muito com Tito e fui dormir...


Acordei às 4h pensando que não era o dia ainda... cochilei... alguns minutos depois acordei com a bolsa rompida. Mandei um Whats para Zezé e fui para o chuveiro. Em seguida iniciaram as cólicas e as contrações. Fracas. Di falou com a querida Dra Maria Fernanda. Olga acordou às 5h, empolgadíssima. Ligamos para meu pai que logo veio buscá-la... me deu um aperto no coração... sabia que era a última vez que a via como filha única. 

Zezé chegou, fez massagem, ouvimos mantras, nossa playlist do parto, rimos e fomos curtindo aquele momento. Contrações foram chegando de verdade. Fortes. Profundas. Decidimos ir a maternidade as 7:30. Lá eu sabia que precisava ficar tranquila e conectada com meu bebê. Me esforcei para não dar bola para as coisas que ouvimos no hospital. Chuveiro, bola, massagem, colo, abraços, dor. Que dor maluca de amor é essa, que eu nunca pensei em desistir ou que sofria, ou que não conseguiria? A cada contração uma vocalização forte, doída, uma cura. A cada contração todo o percurso passava pela minha cabeça... o parto da Olga, o obstetra fofinho que queria me obrigar a agendar a cesariana, os viários caminhos atrás de uma obstetra que tivesse opção pelo parto natural.. tudo junto ao mesmo tempo. A cada contração, o Diego e Zezé me enchendo de carinho e compreensão. Quando a coisa apertou mesmo, lá estava minha obstetra querida me abraçando e dizendo que eu conseguiria. Que dor de amor é essa que a cabeça comanda? No meu Mundo ideal, nosso parto não teria intervenções médicas desnecessárias. E no meu olhar assim foi. Naquele 05 de setembro eu aceitei analgesia com 7cm e uma episio respeitosa, se é que se pode falar assim, quando Dra Fernanda explica o que acontecia e me pergunta se pode fazer. Foi muito rápido, eu exausta, ele cansado e trancadinho. 
Naquele 05 de setembro eu vivi 12horas de trabalho de parto. 12 lindas horas. 

Saí do parto pronta para bater uma corrida, de tanta felicidade! Ele mamou como um profissional no assunto. Ele veio pronto, no tempo dele. Não tomou banho e ficou comigo. E estamos desde então, completamente grudados de amor e leite. 
Tito chegou naquele 05 de setembro de 2017, as 16:29, com 3,940kg e 53,5cm me mostrando que bebê grande nasce e que eu sabia parir. 



#Tito 
#relatodeparto

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